Meio crua. E sem palavras

Tenho para sempre em um lugar dentro de mim a melancolia dos meus tempos de colégio, na infância. Em casa, tudo era bom. Na escola, preferia estar em outro lugar. Sempre pensando em outra coisa. Na bicicleta azul, por exemplo, para descer a rampa do quintal de lajota vermelha. Meus pais nunca regulavam livros e... Continuar Lendo →

Receita de manhã de domingo

Ingredientes Uma manhãzinha fria  150 gramas de queijo manchego aos pedaços Café coado a gosto (e sempre) Um livro que ainda não leu e quer. Muito Modo de viver Nas primeiras horas de temperatura amena, passe o café para o bule e do bule para a xícara ainda quente de queimar a língua. Quebre o... Continuar Lendo →

Se o telefone não tocar, sou eu

Eu estava na rua e vi o mensageiro brilhar. Vamos falar por telefone, ela escreveu. Não posso. Por que? Eu não falo por telefone. Ahn? É isso. Exceto a trabalho, eu jamais falo ao telefone. Exceto em caso de medidas extremas, como ter de marcar uma hora, eu jamais falo ao telefone. Dentista? Ok. Fora isso,... Continuar Lendo →

Manteiga no bolo quente

De manhã cedo, não li os jornais, não trabalhei, não ouvi as notícias. Coei o café e, enquanto filtrava, eu não vi os emails, não peguei a correspondência, não liguei o forno, não enchi a lavadora, não cobri a mesa com a toalha, não tirei a manteiga da geladeira e não falei. Nada. Só fiquei olhando... Continuar Lendo →

Você vai ver

A menina e eu acabamos de ver La la land. A cada vez que assistimos, é um filme diferente para ela, que vai descortinando sentidos, fazendo mais perguntas e se admirando. Nas duas cenas em que eu choro, ela diz ‘não precisa, respira’. E passa um tempo tentando compreender como é feito um filme, em... Continuar Lendo →

Um modo de usar a vida

Peguei o pote de vidro. Hermético. Estava cheio de molho de tomate. Abri. Intenso, aveludado. Perfume certo, fundo adocicado que não estava ali, qualquer coisa que melhora quando a gente toma distância, esquece que existe e reaproxima, ao acaso, depois de um tempo. Enfiei a colher. Frio, encorpado. Tão bom que eu quase bebi feito... Continuar Lendo →

Café sonhado, espuma cremosa

Sonhei que eu estava em um lugar que não sei onde e que um sujeito que não sei quem preparava um café atrás do outro, todos diferentes. Era uma casa dinâmica cheia de espaço e gente circulando na intimidade partilhada, sem excessos, com tranquilidade. Era aldeia vertical e parecia prédio cenográfico partido ao meio, em... Continuar Lendo →

Entre nós outra vez um dia

Na página 201 do livro, no capítulo que pretende tratar do significado da “Sala de Jantar”, o autor descreve a trajetória de alguns ingredientes. Surgiam por exemplo na Inglaterra do século 17 as primeiras cafeterias. Só que, como naquele tempo e lugar a bebida ainda era pouco compreendida, ruim, armazenada em galões por dias, possivelmente... Continuar Lendo →

O que eu ia fazer

"Agora, é claro, há dezenas de outras perguntas clamando para ser feitas: sobre igrejas e parlamentos e bares e lojas e alto-falantes e homens e mulheres; mas infelizmente o tempo se esgotou; cai o silêncio." (Virgina Woolf no ensaio "Por quê?", maio de 1934) No espaço de tempo que surge entre os temperos e eu... Continuar Lendo →

A melhor hora de todos os dias

Todos os dias eu acordo para ler antes de a casa despertar. A realidade, sabemos, atrapalha esses instantes que se parecem com manhãs de domingo. Faço café sem açúcar; esquento pão com manteiga. Não me canso de achar bonito o brilho dos cristais de açúcar que espalho sobre o dourado da fatia ainda quente. Aquele som... Continuar Lendo →

WordPress.com.

Acima ↑