Entre e vista

“Onde se lançam livros às chamas, acaba-se por queimar também os homens”
(Heinrich Heine)

Na manhã de domingo do segundo turno das eleições eu vesti quatro palavras cinzas sobre um azul profundo: lute como uma garota. Levava comigo mais do que a emoção contida e o saber que a gente tinha perdido (fazia tempo). Como muitos, eu fui votar levando livros. Um gesto lindo de existir.

Prendi uma flor cor de maravilha nos cabelos e coloquei o essencial em uma bolsa.

Eles, os livros, são como a malha, o guarda-chuva, o cuidado que sopra ao nosso ouvido.

Para os filhos, no correr da vida, nós podemos sempre perguntar e desejar enormemente que digam sim: ‘pegou um livro? Escuta a tua mãe, vai precisar…’

Levei Fahrenheit 451, que quando li tirou meu fôlego (a epígrafe deste post eu roubei do prefácio).

Na escola em que eu voto, tão longe, não encontrei mais ninguém com livros (…). A pequena grande jornada poderia até ser solitária. Não foi. É que os livros são esses objetos que nos seguram quando a gente os agarra. São esses objetos com os quais escolhemos estar, nos quais escolhemos entrar e de onde há uma boa chance de sair com o corpo coberto e preenchido. Do que está escrito.

Um corpo diferente.

(Quem anda com livro não anda sozinho, e convenientemente eles servem também para afastar companhias indesejadas)

***

Entrei no mural da minha amiga Eliane Brum, que naquele dia perguntou o que as pessoas levaram com elas. Dava para perceber que estávamos convencidos, cada um a seu modo, que era preciso sair em boa companhia.

Por motivo de querer, montei a lista com os livros citados nos comentários (um dia, quem sabe, abro logo uma loja inteira e uso tantos desses no estoque inicial…).

A pilha é um começo, não precisa ter fim e pode gerar outras mais (des)arrumadas.

Se quiser me contar de outros livros, faça isso, por favor. Eu os coloco ali, eu os movo para caber mais e aproximo os afins em prateleiras várias (agora estão em ordem alfabética, e não precisa ser assim, podemos classificar de outros jeitos e eles podem querer se rearranjar para conversar ou silenciar juntos).

Vamos combinar que também não os deixaremos ser muro, que sempre dará para se mover entre eles, atravessá-los e mudá-los de lugar. E principalmente vai ser possível segurá-los junto ao corpo sempre que precisar.

Sempre que precisar e quiser, ler.

Na biblioteca de livros livres só não dá para acomodar o que não cabe. Não cabe livro de facínora, por exemplo.

Entre e vista as palavras dos livros livres

Funny Face

O fotógrafo Fred Astaire e a livreira Audrey Hepburn arrumam os livros em Funny Face

***

Por enquanto, o autor mais lembrado é José Saramago. Tem também Paulo Freire, Valter Hugo Mãe, D. Paulo Evaristo Arns, George Orwell, Hannah Arendt, Darcy Ribeiro, Eliane Brum, Anne Frank, Eduardo Galeano, Gabriel García Márquez e Margaret Atwood. Esses aparecem com mais de cinco citações e, às vezes, mais de um livro foi mencionado.

***

Há mais homens do que mulheres. As autoras são:

Ana Cristina Cesar
Ana Maria Gonçalves
Angela Davis
Angélica Freitas
Anne Frank
Carla Rodrigues
Carolina Maria de Jesus
Conceição Evaristo
Daniela Arbex
Dina Sfat e Mara Caballero
Djamila Ribeiro
Eliane Brum
Hannah Arendt
Helen Caldwel
Jarid Arraes
Laura Carvalho
Laure Adler
Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling
Lya Luft
Mabel Collins
Malala Yousafzai
Marcia Tiburi
Margaret Atwood
Marilia Guimaraes
Maya Angelou
Suely Rolnik

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