Café tombado

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“…Diante de tal vista sempre me abandona a certeza de que o importante é mais importante do que o desimportante.” (Wislawa Szymborska, Pode ser sem título, do livro Um amor feliz, tradução de Regina Przybycien)

Caminhava eu logo cedo pela casa ainda adormecida e fui coar café.

Coloquei a água quente e escutei, como tem de ser, a tinta de coragem escorrendo para dentro do bule.

Saí da cozinha por um instante, confiando na desordem das coisas, e ouvi um (insira a onomatopeia aqui).

Volto e vejo o desastre: o coador caiu, cheio, da pia ao chão, os vestígios de uma erupção.

Sem alternativa, acho, eu me ajoelhei. Lavei a cozinha, os azulejos, os móveis, a pia, os panos, os tapetes. Estava tudo tão limpo e perfumado. Logo veio aquela vontade de coar um cafezinho. Comecei de novo e bebi, contente, até que tombe o próximo coador.

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