Viveiros de livros na Vida Simples

viveiro de livros

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O caixeiro-viajante Romeo dirige pelas estradas do vale do rio Pó, na Itália, a fim de vender roupas. Ao conhecer uma mulher chamada Ágata, quer saber em que ela trabalha. “Sou dona de uma livraria”. Cansativo? “Sim, mas é o que eu sempre desejei. É meu viveiro.” Quando pronuncia “Mio vivaio”, metida em um improvável vestido cor-de-rosa, Ágata diz muito em apenas duas palavras: na livraria querida a vida brota entre as estantes e do silêncio eloquente das páginas escritas. Difícil não concordar. A boa livraria é um viveiro. Um viveiro de livros.

No longa italiano “Ágata e a Tempestade”, Ágata é a livreira que queima lâmpadas e provoca curto-circuito quando fica emocionada. Enquanto tenta encontrar o equilíbrio, apaixona- -se por um cliente, ajuda o irmão a desvendar segredos de família, dança de pés descalços e olhos fechados no chão frio da cozinha. Lê muito. Na Livraria dos Quatro Cantos, sua missão é colocar o livro certo nas mãos certas.

Quem se dispõe a sair de casa e se envolver com o mundo encontra bastante significado em livrarias como a de Ágata. Posso me imaginar em uma delas: a porta se fecha atrás de mim. A sineta avisa que eu cheguei. Esses lugares costumam ser maiores do que aparentam – crescem na vertical das estantes, no arranjo dos objetos, na desordem perfeita. Em gostosa incerteza, passeio pelo acervo que o livreiro escolheu montar. Inclino a cabeça ao percorrer as lombadas e na ponta do dedo tiro um exemplar da estante. A capa tem uma gostosa textura acetinada. Da janela incide uma luz tranquila. A poltrona de chenile afasta a brutalidade. Lá fora, na chapelaria imaginária, ficam as encrencas. Prazos, burocracias. Mal-entendidos, decisões difíceis. Feito óculos escuros na fotofobia, a ficção ajuda a enfrentar a realidade excessiva. Leio epígrafes. “Passavam-se os anos, e a única pessoa que não mudava era… (clique aqui, por favor, para continuar a ler o texto publicado na Vida Simples 158. Saúde para quem espirrar. Saúde para quem como eu contorna a rinite bravamente, porque ama segurar os livros nas mãos e meter o nariz no meio das páginas para sentir aquele aroma amanteigado e de objeto que sobrevive no matter what. A tecnologia na ponta dos dedos e tal sem precisar de upgrade e teste de compatibilidade)

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