Procura-se uma taça de champanhe (baixinha e gordinha)

Taça de espumante (baixinha e gordinha)

A taça fora de moda: baixinha, gordinha e gostosa

“Para que o champanhe? Vai inaugurar um barco?”
(Linda, personagem de Diane Keaton no filme Sonhos de um Sedutor, 1972, de Woody Allen)

Não. Não vou batizar um barco. Vou fechar um blog.

Um amigo me disse outro dia que gosta muito deste Sem Reservas, mas que o blog tem o defeito da ausência. “Demora demais entre um post e outro”. É verdade. Mas isso vai acabar. Este é o último texto que cometo por aqui.

Estou de saída e, na despedida, deixo um pedido de ajuda. Veja a foto. É uma taça de champanhe com bojo bem largo. Modelo fora de moda, do tempo em que o champanhe ainda era doce e não era “obrigatório” sorvê-lo seco em taça flûte – aquela alta e magra acomoda melhor a persistência das bolhas. A perlage é uma das características mais importantes desse tipo de vinho. O copo largo e baixo não faria mal ao champanhe adocicado de antigamente, mas não é indicado para o estilo brut que consumimos hoje em dia.

Pois grande coisa as dicas úteis da vida fútil.

Prefiro beber com a baixinha, mesmo com algum prejuízo para a bebida bruta.

Dizem as boas línguas que esse tipo de taça, oficial para champanhe até que a técnica a substituísse pela magra – como nas passarelas de moda! -, teria sido modelado nos seios da Madame de Pompadour (1721-1764), amante de Luis 15. Não deve ser verdade, pois o copo cheio já existia quando a moça chegou à corte. Coincidência das formas. Mas é divertido imaginar que sim (depois ou antes, veio o tal sutiã meia-taça. Mas isso é outra encrenca).

A foto desta página foi feita com o celular na casa dos meus compadres. Há, na cristaleira da família, alguns desses copos tão especiais. Benditos sejam os parentes deles. Só lá consigo realizar meu desejo de beber o vinho espumante até a última gota na taça predileta.

Da última vez, almoçamos feijão preto gordo (com carne seca e linguiça), arroz branco e couve rasgada e brilhante. Foi demais. E ainda tinha a taça maravilhosa transbordando de espumante muito fresco.

Pois bem. Pretendo transgredir as regras e ter minha própria coleção de taças baixinhas e gordinhas para beber champanhe e espumante quando puder e quiser. Mas aparentemente não há para comprar. Os filmes sempre exibem alguém com o copo na mão. É uma dessas coisas gostosas e frustrantes da vida: “pode vê-las, minha filha, mas nunca as terá”. Será? Será mesmo?

Em Sonhos de um Sedutor (Play it Again, Sam), há uma sequência em que Diane Keaton e Woody Allen seguram as taças por mim tão cobiçadas. “Para que o champanhe? Vai inaugurar um barco?”, perguntou Linda a Alan, antes de perder o juízo na taça, e enquanto o Alan neurótico só conseguia imaginar o que aquela bebida poderia fazer por ele.

Agora, sim, vem meu último pedido: alguém aí, entre meus seis ou oito leitores, sabe onde encontro esse tipo de copo de cristal fino? Perguntei aos oráculos da internet. A resposta: só no passado (e na casa dos compadres, claro, e nos casamentos americanos em que jogam champanhe na torre de copos para comemorar as bodas). E ainda zombaram, os oráculos: lembra-se de uma provinha do programa do seu Silvio Santos? A produção fazia uma espécie de pirâmide com as taças e a bebida também escorria em cascata. Glamour zero e plástico vagabundo, provavelmente, mas lá estava um arremedo da minha predileta…

Pois bem. Viro a página com um brinde de champanhe para celebrar palavras escritas e as que escreverei em outras paradas. Vou até ali procurar minha taça de Pompadour.

Desejo uma boa vida a todos. Comam e bebam bem, com moderação e sem culpa. Não sejam escravos do “tem que” e façam da sua geladeira um lugar feliz. Para uns, isso quer dizer prateleiras vazias. Entendo. Para outros, e incluo-me entre eles, ela foi feita para abrir, pensar, contemplar e guardar muitas e gostosas possibilidades.

Feito janela. Janela de oportunidade.

Frase de outro amigo querido, sempre que nos despedimos depois de esvaziar um bom prato de comida: “não vamos nos dispersar”.

É isso aí. Até o próximo brinde. Tchau, beijo, obrigada e tudo de bom.

7 pensamentos sobre “Procura-se uma taça de champanhe (baixinha e gordinha)

  1. Vivi, sabe onde você encontra taças gordinhas? Seguramente na Benedito Calixto. E em muitos supermercados não tão finos assim. Sempre as vi para vender. Aqui em casa, por sinal, tenho oito delas, presente da minha mãe. Nada finas, n ada de cristal. De vidro mesmo. Aliás, os espahóis chamam vidro de cristal. Não seria a mesma coisa, afinal? Bueno querida, seguramente lerei seus textos em outras paradas. Boa sorte. Beijos em profusão,

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  2. Vivi, que despedida! Linda! Vai deixar saudade. Mas os leitores fiéis vão aonde você for! Faço minhas as palavras da Mari-Jô. Feirinhas da Benedito, do Bixiga e do Masp. Às bojudas com borbulhas!
    1 Beijo, B.

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  3. Querida Vivi, adoro estas taças, minha sogra tem um jogo, lembro sempre de Casablanca…….Onde vc estiver sempre será um imenso prazer seguir suas palavras. Lembrando da Toscana, SALUTO!!!!!!!

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  4. É uma pena que não estará mais por aqui, gosto do jeito que usa o humor nos seus textos.
    Felicidades onde quer que vá, fica com Deus.

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