O hambúrguer “suicida”

Dizem por aí que uma lanchonete americana chamada Heart Attack Grill, com sede no Arizona, pretende vir para o Brasil vender seus milkshakes extragordos, suas batatas fritas em “pura gordura” e um tal sanduíche de mais de 8000 calorias. Leio no jornal e entro no site. As garçonetes são bonitonas mascaradas por muita maquiagem e vestidas de enfermeiras com jeitão de pin up, só que de gosto duvidoso. Os decotes são de fazer corar os tímidos, mas não bobos. Da porta para dentro, os clientes usam aventais de paciente de hospital e o sanduíche pelo qual “vale a pena morrer” é composto de quatro hambúrgueres.

quadruple bypass burguer

Quadruple Bypass Burguer: pesa mais de 160 quilos? Coma à vontade e de graça

Veja a foto. Fico imaginando como o sujeito vai comer uma coisa dessas. Desmontando para devorar degrau por degrau? Sim, porque, exceto nos desenhos do Scooby ou do Pica Pau… não sei, não.

Ah, sim, faz parte do show premiar os que conseguem devorar o lanchão com uma viagem na cadeira de rodas até a rua…

Sugere uma cena um tanto grotesca e pouco civilizada, como aqueles concursos para ver quem come mais pedaços de pizzas, bolos ou tortas. Isso não tem nada a ver com gostar de comida, ou tem?

A página dos caras na internet é uma vitrine sem muita informação relevante, com fotos gigantes e, claro, uma imensa isca para o pessoal da mídia entrar e baixar imagens. Contribuiu de certa forma para a fama do empreendimento o fato de que, há alguns anos, um porta voz da marca tenha morrido de ataque cardíado – o rapaz tinha 29 anos.

Acho tudo meio bobo. Se fosse para estereotipar (hipoteticamente) eu diria que é o tipo de coisa na medida para o público que rola de rir com aqueles vídeos do Domingão do Faustão que mostram criancinhas, bichinhos e outras gentes passando por situações no geral vexatórias e até acidentes que poderiam ter consequêcias bem graves. Um outro tipo de bobeira.

Não me entenda mal, leitor. Não sei bem o que provoca em mim – uma apaixonada por nacos de gordura em carne suculenta – tanta antipatia por esse negócio. Não tenho o menor talento para porta voz do que chamam de politicamente correto, sobretudo com relação à comida.

Gosto de comer bem e no meu entender isso não exclui nem de longe frituras, o uso generoso de manteiga na preparação de vários pratos e outras delícias do gênero. Aprecio foie gras mesmo se não for aquele ético (espanhol, feito a partir do fígado dos “gansos felizes”), e sou do tipo que acredita na gordura – na medida certa e bem empregada. O efeito em mim é quase instantâneo. Vai direto para o cérebro e me deixa relaxada e feliz. Sem culpa nenhuma.

Mas será que o brasileiro faria fila para “comer” o passaporte para o inferno (ou céu, dependendo da sua crença)? No mês passado, a inauguração de uma filial do Heart Attack Grill em Dallas atraiu um bando de interessados e também muitos protestos. Fechou as portas alguns minutos depois de abrir e deixou de barriga vazia uma fila de clientes – não se sabe se fechou por causa dos protestos ou por manutenção, mesmo, como foi alegado…

Pior: assim como ocorreu em Dallas, se o Heart Attack Burger vier para o Brasil corremos o risco de dar mais munição para o povo viciado em marchas. Tá na moda, né? Vão querer fazer a marcha contra o hambúguer gordo ou algo do gênero… Eu não vou puxar a fila. Aliás, que preguiça dessas correntes chatíssimas no e-mail e nas redes sociais e passeatas igualmente inócuas que, até onde eu sei, só o que fazem é chatear um pouco quem não tem nada com isso. Quem marcha é soldado ou nem ele. Enfim.

Pronto, azedei.

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