As 13 coisas que mais irritam os garçons

Esta é uma delas… Do filme Harry & Sally (1989, com Meg Ryan e Billy Crystal)

Sally Albright: …e eu gostaria da torta quente. Não quero o sorvete sobre a torta, mas ao lado da torta. E em vez de sorvete de baunilha eu quero sorvete de morango, se você tiver. Se não tiver, nada de sorvete, só chantilly. E só se for verdadeiro chantilly. Se ele estiver fora da lata, não quero nada.
Garçonete: Nem a torta?
Sally Albright: Não, eu quero a torta, mas, então, sem esquentar.

***

Outra:

São Paulo, duas e meia da tarde, muito movimento e alguma espera. Dá para notar aquela tensãozinha no ar, ainda que disfarçada, por causa da Restaurant Week. É a temporada em que duas centenas de casas oferecem almoço e/ou jantar a preços promocionais e as mesas costumam ser mais disputadas.

Estamos, eu e minha amiga, de olho em um pequeno grupo: três pessoas – o pai e duas filhas – chamam mais atenção do que a animadíssima reunião das quinze senhoras da sociedade itaim-bibiense, que ocorre no mesmo salão (tá, não existe itaim-bibiense, mas é para ajudar a compor a fotografia). Todas têm as cabeleiras escovadas, os dedos cheios de anéis e passam o tempo todo a escanear umas às outras: roupas, rugas, retoques, pratos, experiências de viagens etc.

Em termos de barulho, no entanto, não tem para ninguém. O pai fala alto com as duas filhas e elas respondem à altura. Ele também grita com os garçons, reclama dos preços, da comida, do lugar, da vida, da prole, de tudo. Os namorados da mesa ao lado, que já não conseguiam arrulhar e menos ainda conversar, trocam de lugar. É tarde. Estão tomados pela nuvenzinha e passam o resto do tempo esperando a confusão acabar. Mal bebem o café, com um certo rancor, e vão embora de cabeça baixa. “Boa sorte”, diz a moça, bem baixinho, para o garçom.

Antes de partir, eles passam pela cozinha e berram com os cozinheiros. Acho até que estavam elogiando, mas parecia briga.  Saio um pouco depois com minha amiga e alcançamos a calçada a tempo de ver o pai se escorando nas filhas. Bebeu demais. Ainda conseguimos ouvir comentários baixinhos da brigada, na linha do “já vai tarde” (e antes que o leitor de olhar mais agudo aponte essa possibilidade, já digo que não acredito que o recado dos garçons tenha sido para nós, mas para “eles”. A gente se comportou).

***

Clientes que fazem zilhões de mudanças nos pratos e outros que esquecem a educação em casa estão entre as principais reclamações dos funcionários de restaurantes quando perguntados sobre o que mais os irrita no trato com as pessoas.

A pedido do iG Comida, a repórter Larissa Januário conversou com maîtres, donos, gerentes e garçons de mais de vinte lugares, alguns dos mais bacanas nas principais cidades do Brasil. Em comum, eles têm, além de boa reputação e boa comida, público de todo canto a visitar. A partir dessas entrevistas, fizemos a listinha abaixo. É para pensar antes de sair por aí na defensiva contra o serviço.

Está certo que a vida do garçom (também) não é fácil, mas faço alguns contrapontos em defesa do cliente, estão em itálico. No mais, é o bom senso de cada um.

1. Gente que chega a dez minutos do encerramento do serviço.

(o horário de fechamento das casas, muitas vezes, não é claro. A hora em que são encerrados os trabalhos na cozinha nem sempre é a mesma em que fecha o salão. A cozinha costuma parar antes. Se a peça ou o filme terminou muito tarde, é melhor ligar para o restaurante e conferir se ainda dá tempo. Evita aborrecimentos. Outra coisa: se o cliente for recebido de portas abertas, sem ressalvas e dentro do “horário regulamentar”, tem de ser bem atendido independentemente do horário. Certo?)

2. Pessoas que, mesmo chegando depois da hora marcada na reserva (e além daqueles minutinhos de tolerância), brigam por ter perdido a mesa.

3. Reclamações desproporcionais sobre o preço da comida e da bebida, depois de terminar a refeição. Os preços em geral constam do cardápio. Qual seria a surpresa?

4. Ser chamados de “amigo”, “psiu” ou “xará”. Assoviar, estalar os dedos, cutucar e puxar o avental? Melhor não.

(Muitos clientes também não gostam de ser chamados de “menina” e “garoto”, sendo, ou não, menina e garoto. Tem ainda o “meu querido” ou “minha querida”. Claro, há quem aprecie certos gracejos, mas, no geral, pode ser considerado um excesso.)

5. Frases do tipo “você não sabe com quem está falando” ou “sou amigo do dono”.

6. Clientes muito indecisos, confusos e dispersos na hora de fazer o pedido ou, ainda, que mudam de ideia quando o prato já está quase pronto.

(Admito que, às vezes, eu faço isso.)

7. Comer tudinho e só depois dizer que a comida “não estava boa” ou que o pedido veio errado.

8. Crianças descontroladas + pais relapsos = coquetel molotov. Correrias pelo salão, bagunça no banheiro e gritos são as principais reclamações.

9. Adultos descontrolados, que falam alto demais e se dirigem aos funcionários da casa com grosseria.

10. Aquele tipo que não gosta de comida oriental e faz caretas ou reclamações diante de tudo o que vê no cardápio do restaurante… japonês. Ou, ainda, quem pede inúmeras mudanças para deixar uma receita de acordo com o próprio paladar. Algo na linha “vou querer o risoto de frutos do mar sem camarão, sem mexilhão e sem lula. Com frango, pode ser?”.

11. Quando o cliente diz que o atendimento não foi bom e não paga os 10%. O argumento é que isso só prejudica o garçom, e não pune a casa pelos deslizes.

12. Pessoas que saem de casa sem um plano B para o pagamento. Se o sistema de cartões de crédito e débito estiver fora do ar, como elas vão pagar a conta?

13. Gente que faz a reserva para cinco e aparece com oito pessoas, sem avisar com antecedência.

***

Nota: o restaurante do início do texto é o Marques de Marialva/La Cocagne, onde optamos pelo menu português (alheiras vegetarianas, bacalhau assado em lascas com cebola, broa de milho e uma pastinha de azeitonas pretas). Antes, ainda, provamos alheiras tradicionais (embutido português à base de pão e carne de porco). Estavam boas, mas um tanto oleosas demais. O bacalhau foi uma ótima escolha: muito promissor ver que a casa optou por uma versão em lascas, e não desfiada, a mais comum das comuns. A sobremesa era pastel de nata, estava tristinha. Nas duas horas em que ficamos no restaurante, quase fomos induzidas a consumir mais água do que o necessário, pois o serviço é do tipo que não deixa o copo vazio e abre a garrafa antes de perguntar se o cliente quer ou não a reposição.

Música: frim fram sauce

I dont want french fried potatoes, red ripe tomatoes. I’m never satisfied… (Frim Fram Sauce, com Louis Armstrong e Ella Fitzgerald)

63 pensamentos sobre “As 13 coisas que mais irritam os garçons

  1. ´Muitas vezes culpamos o garçom, mas a responsabilidade é da casa. Ao se sentar no Restaurante Dom, em S. Paulo, imediatamente nos é oferencia uma taxa de champagne, muito boa por sinal. Ela já vem trazida no copo.
    No final, R$ 98 cada taça. Isso mesmo, R$ 98 cada taça. Que culpa tem o garçom nisso ?

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  2. Comentário fora de loca, mas acho que vale.
    Acho que nada supera Praça de Alimentação em Shopping.
    Você está comendo, e já tem uma família do seu lado com a bandeija na mão esperando você acabar.

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  3. nao gostei de alguns comentarios .
    veja bem. nao e obrigado os 10%. acho que deveria haver um entendimento entre clientes e garçons pois precisam uns dos outros. obrigado

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  4. Marco, os 10% são a “mão-de-obra” que você tá pagando. Ou você acha que o garçom está lá para colocar a bebida, a comida, tudo na sua mesa, sem você ter que fazer esforço ALGUM, de graça?!!! Claro que não, os 10% é o que você paga para o garçom fazer isso para você! TE SERVIR! Você não está sendo “penalizado a pagar mais, por ter escolhido comer bem”. Você está sendo BEM antendido (na maioria das vezes) e POR ISSO, está pagando 10% a mais da sua conta. PELO SERVIÇO, RALADO DO GARÇOM! Procure se informar mais, e descubra como é a vida dos garçons! Sei que em todos os lugares existem garçons mal treinados e mal educados, que não atendem direito, e você tem o direito de não querer pagar. Mas pense no lado dos bons garçons, que, acredite, são muitos, e tente ser mais compreensível. Eles merecem os 10%, afinal, é o salário deles! Se você não paga os 10%, é como se ele tivesse atendido sua mesa DE GRAÇA, sem receber NADA por isso. PENSE MELHOR ANTES DE FALAR QUE É DESPERDÍCIO!

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